Segunda-feira , 15 Outubro 2018
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Sem recursos, Parque Nacional da Serra da Capivara sofre demissão em massa

A Fundação Museu do Homem Americano (FUMDHAM) realizou uma demissão em massa de cerca de 60 funcionários do Parque Nacional da Serra da Capivara. A pesquisadora Niède Guidon informou que a medida foi tomada na manhã desta quinta-feira (27) por falta de recursos para a gestão e preservação do local para os próximos meses.

“Infelizmente os recursos que temos só deram para manter até esse mês. Com isso demitimos cerca de 60 funcionários hoje e vamos manter apenas as quatro guaritas turísticas funcionando durante o dia”, afirmou.

A pesquisadora lamentou a demissão em massa, mas acrescenta que uma decisão judicial poderia ter evitado o problema. “Quem sofre são todas essas pessoas que ficaram sem emprego e o parque que fica sem preservação. Infelizmente dependemos dessas decisões e tem o fato do juiz ter ido embora sem liberar um recurso que já existe. É difícil quando as pessoas não tem a responsabilidade”, desabafa.

Recurso bloqueado

Niède se refere a ação civil pública da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Piauí que obriga a União, o Ibama e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) a fazer uma dotação específica para manutenção, funcionamento e preservação do parque. O juiz, porém, rejeitou a liberação do recurso.

Em janeiro de 2017 uma parte da verba bloqueada foi liberada em caráter emergencial, destinada a despesas com pessoal, material de consumo e infraestrutura do Parque. Mas desde então, Niède explica que outra parte da verba, cerca R$ 500 mil, está bloqueada, e que o juiz responsável pela liberação está de férias, sem possibilidade de solucionar o impasse.

Para Niède a verba bloqueada seria suficiente para manter o parque na situação atual até pelo menos o final do ano. A FUMDHAM já teve em seus quadros cerca de 270 funcionários e hoje funciona apenas com cerca de 70. A pesquisadora garante que manterá o parque em seu funcionamento mínimo durante o dia, mas somente enquanto houver verba para pagamento dos guariteiros. “O ICMBio deve colocar os guardas para manter o local”, conclui.

Criado em 1979, o parque nacional é Patrimônio Mundial da Unesco e abriga os mais antigos vestígios da ocupação humana no país, com mais de 30 000 pinturas rupestres. Ele é administrado desde 1986 pela arqueóloga Niède Guidon, a primeira pesquisadora a investigar as pinturas; mas há anos ela se queixa da escassez de recursos para a manutenção do lugar.

Fonte: Cidade Verde

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